Torre del Oro iluminada à noite, às margens do GuadalquivirRafael RuizProfessor de História da Unifesp

História da América | Aula 6 | Parte 3

Borges, Los Traductores de las 1001 Noches. Dificuldades da Tradução. Limites do Historiador

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é muito boa tarde bem-vindos ao meu curso virtual de história da américa nós estamos agora na aula 6 horas que agora vamos falar sobre o povo a filosofia na outra lá o povo e as dificuldades de tradução e agora eu queria aproveitar justamente essa questão para aprofundar um pouco mais no assunto a partir de um conto um conto de cólica luis borges morreu o escritor argentino e tem um é uma narrativa original entre o histórico eo literário e que provoca uma série de questionamentos em cada um dos seus contos é é o trouxe para vocês para a gente ficar pensando e discutindo juntos aos tradutores das mil e uma noites é o confesso para vocês que

depois na primeira vez que eu li esse conto eu fiquei assim querendo saber desesperadamente cê aquilo lá que tava bonito no começo era a verdade eu não era verdade de cada uma dos tradutores e works fala que realmente são os tradutores das mil e uma noites são os primeiros produtores da 1001 noites e tudo aquilo que eu marques fala é isso mesmo mas calma aí teria que já está numa metade da vida para descobrir tudo isso então preferi ficar eu gosto e o prazer da leitura literária e das questionamentos historiográficos que eu vou compartilhar com vocês ver o objetivo eu decidi principal desse meia hora que temos agora para frente é fazer uma série de considerações um sobre principalmente o papel do historiador como é que o historiador tem que lidar com suas fontes como é que o historiador se quer ser honesto deveria tratar as suas fontes tratar as suas traduções é utilizar os termos e os sentidos semânticos como é que existe tudo isso outra vez ser levado em conta principalmente gente se coloca dentro de uma as fontes como as pontes é mesmo americanas né em que como já disse para você e não é realmente não é nada fácil a passar de uma linguagem o desistem três níveis diferentes de semânticas e seus

significados para um único nível de linear que eu mudo a língua latina né bom então vou começar pela seguinte né quando a gente é o que faz exatamente o borges é quando a gente a primeira coisa que a gente pensa pensa quando ia ter escuta as mil e uma noites não é o que que é o primeira coisa que a gente pensa o que que a gente lembra é uma pergunta retórica porque logicamente vocês não vou poder me responder aqui nós estivéssemos ao vivo eu esperaria que vocês me respondessem e até agora todas as vezes todas as usarmos em que o falei desse de sua obra todo mundo responder da mesma forma né e respondi só que tal como diz o borges não saber que é uma experiência consagrada no tempo a primeira coisa que a gente pensa ninguém lembra quando fala em mil e uma noites são em simba o marujo nos contos mais famosos em si o simba o marujo alibaba am1i pouco mais esses são os grandes e o grande os grandes contos que estão vivos na nossa imaginação mesmo mesmo na que a gente no não tenha nem lido as mil e uma noites bom logicamente eu esqueci o mais importante aladin aladin que depois já virou virou um super-herói ouvido o

ganhador de oscar por por pela ou desligue né então vocês querem acreditar só falso esses contos não estão no original árabe e fora introduzidos pelo primeiro tradutor o primeiro tradutor que eu quero ele ficou com receio de que jeito só explicação que bordas da o primeiro produtor ficou compra seio de que o as mil e uma noites não tivesse sucesso em um acidente é porque as suas narrativas as suas crônicas dos seus contos eram excessivamente islâmicos do excessivamente muçulmanos ou excessivamente arábico lábios se dá para você falar dessa forma né excessivamente árabes então era introduziu alguns contos que estava era mais fácil de penetrar na imaginação e na fantasia ocidental então olha como uma análise 1 e aí se obscuro assessor era ele tinha ao que ela tinha um assessor pela tradução e foi quem introduziu os contos apócrifos que não eram originais do do árabe mais obscuro assessor de cujo nome não quero me esquecer de dizem que é hum devemos certos contos fundamentais com a original não tem o dela vim ou dos 40 ladrões ou do príncipe a média ea favela pedido ano ou de apto lan ou dorminhoco acordado ou de aventura noturna derramar uma lágrima chip eu nas duas irmãs invejosas da irmã minor o suficiente com a numeração desses

nomes para evidenciar que galão estabelecem um que une incorporando a histórias e fará indispensáveis o tempo e construtores vindouros seus inimigos não vão se atrever a omitir tão relógio interessantíssimas essa consideração de mortes por que isso aqui é uma análise historiográfica primeiro muitas vezes os historiadores o historiador o primeiro narrador aquele que compõem uma visão mais universal mais holística ele ele vai criam que ele vai estabelecer o uma metodologia levar estabelecer uma narrativa e leva a estabelecer um vieste peppa pig vai ser a sua influência vai ser de tal forma né que depois é muito difícil os que vieram depois os historiadores posteriores é não fazer referência isso nem descia para contestar é simplesmente não dá para simplesmente tem que falar de outra forma não da prata não contestar e muitas vezes não dá para não assumir como próprio na narrativa do outro historiador então é bem interessante essa percepção porque o que borges comenta com relação a essa primeira tradução de de galã diz que há 200 anos e três e dez perdão desde traduções melhores do cardigã transcorreram e o homem da europa ou das américas que pensa nas mil e uma noite pensa invariavelmente nessa primeira tradução então deixa essa maneira passa a ser uma historiografia dominante é uma coisa que ainda verifica mesmo ainda bem

que a história da américa nem verifica já falamos do que que é historiografia dominante do que é a a tendência houve em referenciais teóricos dominantes na história da américa ficou bem difícil sair desse desse desse desse a mesa de carteado você não tem como sair disso você não tem como contar a história da américa de uma outra forma se não for passando por esse pronome historiográfico ou estabelecido né é e por outro lado por outro lado é quando quando se fala reboques fala continuar falando dos outros tradutores é começa a explicar o seguinte né que muitas vezes muitas vezes é preciso levar em conta que o historiador ou tradutor ele box no tá falando historiador que falando reprodutor ou tradutor e tá escrevendo tá escrevendo para um público determinado foram como toda terminando

então é se essa situação essa realidade provoca um impasse porque é tô falando que borges falando sobre o leitor de hoje século 20 é porque está escrevendo no século 20 é com relação a essa primeira tradução introdução do canal nós simples de improvisar na crônicos do século 20 percebemos na sua tradução o sabor adocicado no século 18 e não o evanescente aroma oriental e faz 200 anos determinou a sua inovação ea sua glória a ninguém tem a culpa desse desencontro e menos do que ninguém gala tão ganha inscreve no século 18 escreve sobre os prados perdão traduz século 18 os contos do século doze treze do mundo árabe o que a gente pega sempre eu gosto adocicado do século 18 e não propriamente o aroma oriental máximo iso works on ps2 encontro inevitável isso a gente pensa no povo ou sempre pensa nos códices mesoamericanos o seguinte pensa na estruturas das instituições dos indígenas a gente percebe como é difícil falar sobre tudo isto é porque as palavras os conceitos e as categorias que temos ela só não se mentais e a gente o que tentou da gente rodrigo os historiadores e os cronistas o que tentaram foi é ver teve numa categoria latina e aí o significado ou sentido e os termos mais americanos então isso não é fácil

de ser feito e quando é feito sofre violência a inevitável então por exemplo é nós podemos falar de estado ambino podemos falar de estado mexica hoje estava mexicano podemos podemos falar de de liberdade todo mundo dizer que eu sentia nasceram livres qualquer tipo de liberdade a liberdade aqueles tinha é podemos falar de escravos podemos falar por exemplo eu nem falei para você se não quiser esse vídeo ainda vou falar mais para frente é os espanhóis eles vão a vão a dar bom assimilar a mita o indígena dos incas e vão adaptá-las aos seus interesses agora está aí vão chamar de mim tu és a minha é a mesma anitta e eu estou explicando para vocês e estou usando a palavra bonita né então eu vou usar vocês vão ver estou na próximas aulas eu vou falar eu vou falar sobre as encomiendas mas eu vou me recusar a falar as encomendas que ele a tradução correta do termo mas não seria a resolução correta do sentido do significado porque uma encomenda o brasil em português e uma encomenda internacional uma encomenda um pacote de por sedex uma encomenda você pode encomendar uma uma um sentido tradicional do trampo já se perdeu você poder encomendar missas por uma pessoa falecida mas a encomienda não é nada

disso já outra coisa existe é uma ideia de de deixar na mão de alguém mas de levar a uma coisa para outra pessoa não existe essa ideia mas o sentido completamente diferente né então é muito complicado muito complicado quando a gente fala de justiça nesses como é que se vivia de pizza que que era justo é naná e na américa no meio américa é a mesma ideia de justiça que nós temos hoje né eu vou precisar ficar explicando toda hora que a justiça que eu tô falando não é bem a justiça que nos falamos agora isso aqui se tornaria impossível do sendo falado então é preciso chegar a um acordo ou assumir e a tradução é não é perfeita e de fato não é mesmo perfeita né vou dar aqui o exemplo seu próprio negócio daqui me parece que fica bem claro né em alguma tá falando agora de de uma outra do mal ter o cabelo são a produção do dr wail um alemão e por volta de 1710 ele faz isso tradução alguma vez as mudanças do idioma prejudica no prefácio de uma tradução alemã das mil e uma noites notou eu esta poucos mercadores do imperdoável galão arranjam-se sempre alguma valise de tábuas aquela vez que a história eu sou obrigado a atravessar o

deserto poderia argumentar que por volta de 1710 a referência estampas bastava para apagar a imagem da valise mas é desnecessário valise naquela época 1710 era uma subclasse de alforge e agora mesmo não faz sentido utilizar a palavra parece que eu não faz sentido que eles ela falava valise para dizer que estão estava levando uma forge cheia de tâmaras então eu morre alforge é uma coisa mais 1710 mais geral do que a baliza vai dizer uma coisa mais determinada mais específica tão ou tradutor vai utilizar essa palavra lugar da outra mas é e não faz muito sentido ficar imaginando o que os árabes carregar vão atravessar o deserto uma valise cheia de vitaminas para o número de fome agora qual é a palavra que deveria ter sido utilizada por que estamos falando de uma palavra que está sendo utilizada é mesmo 310 o problema é então de cada vez a gente tem que utilizar uma palavra diferente eu mortas de certa forma nos faz pensar isso porque porque na verdade o passado não é um bloco e falar do passado ou no historiador não presente fala sobre o passado esse passado não é um bloco como se fosse uma coisa em si então o o historiador observa como se fosse uma lente de aumento e a de aumento como se

ele fosse o cientista e às vezes ele tem uma ideia muito errada do que história pensamos que a equipe do século 19 e picolés positivismo do século 19 muitas vezes entre pensa na penha salmos mesmo do historiador é um cientista e que ele faz ciência e quer receber bruxa pegar um documento com uma lente de aumento e que estão lá naquele documento está a história lá está o bloco ou pacto de nome diz assim de informação criptografada que o historiador vai decifrar oi e pronto uma vez decifrada e aquilo lá para todo sempre isso uma visão bem desse mônica da história porque o passado ele está sempre sendo reconstruído ou seja o que eu hoje falo para vocês o que eu explico para vocês sobre história da américa não é o que se falava 30 anos atrás nem 20 anos atrás muito menos não era o que você falava 50 ou 100 anos atrás a história da américa ou o passado americano ele como que nem ave fênix ele e sempre renovado e sempre renovável não apenas porque surge em documentação nova mas pela própria força das palavras pela própria força dos conceitos já nós temos ponte e os conceitos daquela época no significado e no sentido daquela época nosso precisamos trazer dos conceitos desta época e darão o sentido daquela

então isso obriga é porque a língua não é morta nossa língua namoro ela está sempre em câmbio e mudança e sobre o historiador também a fazer e não fazer o tecido da história a sua narrativa histórica sobre o passado histórico funcionava tem ver histórico atual sobre o passado histórico passado mesmo que se renova sempre então eu não sei vocês mas para mim isso é das melhores coisas que é o fato de que a a história está muito mais ligada com a arte e com arte da palavra e com artesanato ação e da na rotina do que ficou com a ciência [Música] a outra questão também que me parece importante né é que muitas vezes é preciso ter em conta que o historiador oi tá falando para um público determinado o historiador está narrando a sua história para ouvidos que ele já conhece ou vídeos que ele espera pela imagina né bolo em primeiro para vocês e

depois explico né e para que tá falando agora de um outro tradutor que o richard burton para que eu subi cristo perdão para aqueles subscritores não se desinteressa se então existe aqui já alguma coisa muito mais rebuscada muito mais refinadas estamos em pleno século 19 existe algum clube de leitura flores sabor tom ou seja existe uma espécie de clube bem inglês david dd os sócios que estavam dispostos a bancar a comprar a remissão das mil e uma noites do do parque agora para que isso tivesse o sucesso para que o clube não fica se perdendo membros porto abundou e notas explicativas dos costumes dos homens islâmicos o cabra firmar pelo em que era um outro produtor já tinha preparado o terreno falava da indumentária do regime cotidiano das práticas religiosas da arquitetura das referências históricas ou crônicas dos jogos das artes da mitologia trabalho eu tenho vezes que eu historiador mas o que precisa praticar mais o que contar propriamente a história ela é precisa preencher uma espécie de lacuna como se fosse assim preencher uma dar a chave de leitura da a chave de interpretação né porque se ele não fizer isto né é ficar explicando a indumentária o regime as práticas religiosas arquiteturas referência sakurada dicas se ele não fizer ele amarra de nota de rodapé todas

as explicações e o texto exige em não é elegível é ininteligível não é possível a gente não consegue entender o texto se não tiver as notas de rodapé as notas da preferência lá qual o problema que o borges fala e fala com uma enorme e doninha né que vai chegar o momento que chega o produtor alemão o dr meio que não vai ser preciso um livro maior do que o livro das mil e uma noites para explicar as mil e uma noites tão claro aí a gente já começa a ficar doido então nós vamos precisar um texto maior do que o original para explicar como é que se entende como é que se lei como é que se decifra original texto original então do meu ponto de vista se estuda aqui é preciso e parece que o historiador está muito mais para um cientista positivista do que para um artista para o computador de históricos e é preciso saber encontrar as formas certas de dizer e isso muitas vezes tem a ver mais com a arte do que com calcule com a ciência né então oi e a arte vai fazer com que o texto no oi total subtexto seja é um subtexto realmente subir teste e não sobre texto desculpa aí a brincadeira procurei neste a forma ser o

pudim artista de espero que vocês tenham entendido a metáfora ea última coisa que me parece bem interessante né com relação à mídia uma noite que tem a ver também com o a questão da história da américa da produção da história da américa é paulo borges fala né de quê hein o têm tradutores aparecem tradutores é que é é simplesmente caressing um de estruturas mentais para entender o que está sendo dito no texto original ela tá falando especificamente de da peça por no caso é da percepção de da percepção sobrenatural da vida ou seja não está dizendo o seguinte os contos do século 12 e 13 são contos e tem estão marcados profundamente por um viés religioso na vida não quer dizer que as mil e uma noite não são minimamente de moraes moralistas pelo contrário tá cheio de aventuras picantes eróticas exóticas mas em geral está dentro de uma visão religiosa da vida de uma visão de fé de crença da da vida nem da tam

e agora os tradutores do século 19 eram pessoas profundamente religiosas ou a religiosos ateus muitas vezes ou então contrário extremamente puritano extremamente uma outra vez de ansiedade então isso vai criar uma dificuldade grande né porque é às vezes o bruno não vou ler porque senão vai demorar muito tempo às vezes né quando diz borges quando é o texto original fala de um rato surpreendente de um ato miraculoso de algum tipo de milagre ou de algum sucesso onde o meu aparece a divindade eu falo a divindade tudo isso é contado de uma forma é o meu dizer

assim nas entrelinhas com um certo ar no mínimo séptico irônico é uma tradução de se percebe que o tradutor não sobra está acreditando naquilo como já conta de uma forma crítica então é isso também é um fenômeno que acontece com a história da américa é normalmente a a maior parte da historiografia atual da história da américa entre a escrita por pessoas é que não tem não tem propriamente feia ou não não acha que a fé não faz parte da vida cotidiana e não conseguem entender um relacionamento entre atrevida a corriqueira vamos falar

assim prática da justiça por exemplo para dar um exemplo bem completo o que o trabalho e prática religiosa então quando se defronta com o documento um de isto aparece por exemplo que o juiz tem que ser um juiz piedoso e juiz tem que ser uma pessoa humilde que o juiz tem que ser uma pessoa temperante né tudo isto é visto com um olhar no mínimo um grupo muito cético e eu quero qual o problema tá faltando os óculos então tá faltando as lentes tá faltando uma estrutura mental que permite de olhar para o texto original é dentro do seu sentido do seu significado que é é o que borges força a gente pensar em ser questionar precisamente quando quando fala de traduções que foram feitas né onde quando se faz uma referência né ah sei lá a cor da lua né você faz uma referência a uma noite de cheia de mistério quando você faz uma referência ao fato me o sobrenatural não aparece um gênio então tudo isso aqui fica numa uma bolha na numa no numa numa referência e ativa e narrativa crítica deste panificadora o borges força a vendas e questionar sobre até que ponto até que ponto nós conseguimos dar conta da realidade cotidiana do século 17 do século 18 que era uma realidade como já

disse várias vezes para você profundamente moralista profundamente religiosa e de ferro a encerrar o que eu acho que me parece que é importante que podia falar sobre a relação entre os tradutores das mil e uma noites aqui propriamente não tem nada a ver com a história da americana mas a reflexão do borges é tão original é tão provocadora né e dá uma maneira ajuda a cada um de nos a se questionar sobre como é que devemos nos aproximar da história da américa a partir de uma percepção de uma chave de leitura que nos permita entendê-la melhor e essa foi a terceira parte da aula 6 com isto encerro esta aula é muito boa tarde muito bem vindos sou professor lá ferro e esse aqui é meu curso virtual da história da américa

Fim da transcrição disponível. A conferência de completude em relação ao vídeo ainda está pendente.

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